segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Nas trevas da cidade bailam chamas.
O ar é rarefeito e sulfuroso,
o asfalto liquefeito é pegajoso,
e os monumentos tombam pelas lamas.

Progride a custoso arfar e passo
por corpos que jazem carbonizados,
p'la queimadura seus músc'los sulcados,
coberto de cinza, envergando aço,

um guerreiro de olhar irredutível,
enfrentando a cada esquina a insídia
dos demónios que conjurou a perfídia
de Xaltotun, feiticeiro terrível.

Assobia a sua espada inexorável
quando entre as garras seus golpes desfere.
Nem a sua marca quente e funda fere
o seu espírito de fera indomável.

Do seu rasto a crónica é escrita a sangue
de vampiros e ogres sem cabeça
e dela consta somente a promessa
de derrotar Set, Quod Magna Angue,

fonte dos negros poderes ocultos
com que o Mago horror e caos espalhou
e Senhor da Terra se proclamou
dizimando da resistência os vultos.

Tão só a espada de Conan se ergue,
sem preces, que ela em si é a verdade,
rumo ao castelo maldito de jade
e aos sortilégios mil que ele albergue.

Sua lâmina milenar abrirá
o trilho de sangue, suor, e certeza
que sob ela e sob de Crom a grandeza
o crânio de Xaltotun rolará.